quarta-feira, 15 de julho de 2009

Eternamente Futebol

JACARÉ AFOGADO, DIABO NOCAUTEADO

Eram mais três mordidas (três pontos) computados antecipadamente a favor do Jacaré de papo amarelo. Tudo a estava a seu favor - no momento, ao lado do guarani, é time mais certinho da competição. Jogava no seu “habitat”, conhece cada oscilação, cada pedaço do terreno do confronto. Até o próprio clima seco favorecia o insaciável animal.
Do outro lado, um time que ainda procurava ajustar peças de seus compartimentos, principalmente nas finalizações dos atacantes. Some-se a isto, o fato de fazer quase dois anos que o Vovô não sentia o sabor da comida de adversários fora de casa. A mesa estava posta. Na teoria, o Jacaré iria apenas confirmar em campo, o que todos já esperavam – a vitória. Mas ainda bem que quase sempre a prática joga a teoria por terra. Em campo, o Vovô demonstrou força e aplicação, nem mesmo a ausência de dois guerreiros titulares comprometeu a apresentação do time. Final do jogo: Brasiliense 0x1 Ceará. Vitória justa. E tabu quebrado. E o que é mais importante – o Vovô confirma e solidifica sua ascensão. Com alguns ajustes, principalmente, na pontaria de alguns atacantes, a equipe é uma das candidatas ao bloco de elite em 2010.
No castelão, em Fortaleza, a história é mais ou menos parecida. O Leão ferido encara o favorito Diabo rubro de Natal, o América. Como o Brasiliense, o time Potiguar também tinha motivos de sobra para confirmar seu favoritismo. Era, no momento, o time do Nordeste de melhor campanha, vinha de uma goleada sobre o Bahia, e queria comemorar seu 94° ano de existência com mais uma vitória. O time vermelho, portanto, tinha muitas razões para acreditar que comemoraria seu aniversário saboreando um suculento guisado de leão. Mesmo com toda sua astúcia, o Diabo esqueceu que um animal ferido e acuado é sempre perigoso.
No campo de batalha, como no jogo entre Ceará e Brasiliense, a teoria não prevaleceu. No primeiro tempo do jogo, mesmo jogando apenas com um atacante de oficio, o leão rugiu estrondosamente. Parecia não estar ferido. Fez uma partida quase irrepreensível no primeiro tempo, com destaque para Cristian e Maisena. Final da primeira etapa: Leão 2x0 Diabo. O Diabo saiu cabisbaixo para os vestiários, pensando em se vingar no 2° tempo. Realmente, o Diabo voltou mais disposto. O Leão ficou na retaguarda, aguardando o momento para nos contra-ataques aumentar o placar. E foi o que acorreu. Marcelo Nicácio amplia para 3x0. A essa altura, o Diabo já estava cansado de tentativas frustradas e com mais uma lapada não restava outra alternativa, a não ser bater em retirada. Giba, técnico tricolor, ainda está à procura da formação “ideal” para o Fortaleza. Ao final do primeiro turno, Giba, certamente, já terá um time com ritmo de jogo e entrosamento. No segundo turno estará pronto para lutar com grandes chances por uma das vagas do G-4 e voltar à primeira divisão em 2010.
Portanto, nossos dois times da série b, sob comandos competentes, continuam no rumo certo. Que o Jacaré continue afogado e o Diabo nocauteado.


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Marcos Antonio Vasco Rodrigues

domingo, 5 de julho de 2009

Eternamente Futebol

Anos 60 – A principal Era de ouro do nosso futebol

Sem dúvida, poderíamos caracterizar as décadas de 60 e 70 como as épocas de ouro do nosso futebol, não apenas pelas participações de craques como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, e tantos outros. Eles faziam a diferença a favor de suas equipes, mas todas as outras agremiações da época, principalmente, as do Sul e do Sudeste eram formadas por craques, do goleiro ao ponta esquerda.Por isso, o conjunto das equipes praticavam o que chamamos de futebol- arte. A década de 60 foi amplamente dominada pelo Santos Futebol Clube. O time de Pelé conseguiu nada menos que 22 títulos em 10 anos.Dois Mundiais (62 e 63), Duas Copas Libertadores (62 e 63), Cinco Taças Brasil (61,62,63, 64 e 65), um Torneio Roberto Gomes Pedrosa (68), quatro Torneios Rio – São Paulo (59,63,64 e 66), e pasmem! Dos dez Campeonatos paulistas disputados, o Santos arrebatou oito (60,61,62,64,65,67,68 e 69). E m comparação com o Santos do Rei do Futebol,a equipe peixeira que disputa a série A do Brasileirão é só um time modesto. Não assusta a nenhum adversário. Observe que de 1969 (ano do último título da década) até hoje- 2009- já se passaram 40 anos. Nestas quatro décadas o time da baixada conquistou apenas oito títulos – dois Brasileiros (2002 e 2004), cinco títulos paulistas (1973, 78,84,2006 e 07), um Torneio Rio – São Paulo (1997). Embora os anos 60 tenham tido a hegemonia santista, não sigfinica dizer que os outros clubes eram frágeis. Pelo contrário, eram super times. A questão era que o Santos era mesmo uma “máquina”, “um rolo compressor”.
Nesse período houve o desenvolvimento de importantes Torneios que contribuíram para o fortalecimento das equipes e surgimentos de grandes novos talentos e solidificação dos que vinham despontando na década anterior . O Torneio Roberto Gomes Pedrosa dentre outros, serviram de laboratório para a formatação e modelo do primeiro Campeonato Brasileiro disputado em 1971.
O primeiro Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Homenagem ao goleiro Pedrosa da Seleção de 1934) teve sua primeira edição 1967 e o Palmeiras como o primeiro campeão e o Fluminense o último campeão do Torneio(1970). Foi organizado pelas federações, paulista e carioca. Ele poderia ser chamado de Torneio Sul-Sudeste. Havia a participação de 5 times de São Paulo ( Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo, Portuguesa) ; cinco times do Rio (Fluminense, Flamengo, Botafogo, Vasco e Bangu); 2 de Minas ( Cruzeiro e Atlético); 2 do Rio Grande do Sul ( Grêmio e Internacional); um do Paraná ( Ferroviário). Em 1968 a CBD passou a gerenciar o Torneio, tornando- o mais acessível, fazendo a inclusão do Bahia, Náutico, Atlético do Paraná e o América ( que substituiu o Bangu), Coritiba e Santa Cruz. A partir de 1968, o Torneio passou também a ser conhecido como Taça de Prata.
A partir do final dos anos 70, foi criada a CBF que passa, então, a organizar todos os Campeonatos brasileiros, que teve sua 1º edição em 1971. Portanto, o primeiro Campeonato Brasileiro é uma réplica aperfeiçoada do “Robertão” dos anos 60, havendo a “ nacionalização” da Disputa que passou a contar com a participação de times de todas as regiões do país, tornando-o mais democrático, embora vivêssemos no período mais duro do regime militar.
Poderíamos colocar, também os anos 80 como uma década áurea do nosso futebol, pois tivemos craques inesquecíveis , como Zico, Sócrates, Muller, Careca, Bebeto,Falcão e outros, além da formação de duas seleções comandadas por Telê Santana, que conseguiram produzir o futebol -arte (1982 e 1986) embora em ambas as oportunidades nossa seleção não tenha conseguido erguer o troféu . Portanto, o espelho do futebol -arte e de craques eternos tem início,a nosso ver, nos anos 60 e perdura durante toda a década dos anos 70 e começa a declinar na segunda metade dos anos 80.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eternamente Futebol


ALVINEGROS E TRICOLORES NO RUMO CERTO

Eles têm muito em comum – Administrações jovens dedicadas e responsáveis, técnicos competentes e renomados. Dentro de campo um deles amargou quatro derrotas seguidas e um empate, ou seja, cinco rodadas só de amargura. O outro tem histórico parecido – foram seis rodadas sem vitórias. Três derrotas e três empates. Uma das torcidas se julga a maior da capital a outra a maior do estado. Esse dois times se enfrentam no dia 04 de Julho pela 9ª rodada, da série B. Após saírem do deserto e do jejum de vitórias, os dois querem continuar vencendo, um quer fazer a quadra, o outro a trinca. Quem Conseguirá?
Para reencontrar o caminho das vitórias os dois times penaram.
Nas rodadas iniciais os dois trocaram de técnico. A equipe da ausência de cor (preto) e da mistura de todas as cores (branco) trouxe Paulo César Gusmão para substitui Zé Teodoro, que houvera pedido demissão do alvinegro para ir treinar o Juventude. PC Gusmão é um técnico renomado e competente, com passagem pelos maiores times do sul e do sudeste. Com Gusmão, até aqui, o Ceará alcançou três vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
Obviamente o time ainda apresenta falhas em alguns setores, falta sintonia entre os compartimentos, entrosamento e ritmo de jogo em alguns atletas, porém os ajustes vão ocorrendo com o andamento dos jogos. Qualquer ajuste requer um período de tempo, não é algo que se consiga “da noite pro dia”.
Além do mais, caso haja necessidade de contratar mais alguma peça, certamente, Gusmão fará essa reivindicação à diretoria alvinegra. Um exemplo disso ocorreu no arco do vovô. Lopes, novo titular do Ceará em substituição a Adilson, fez uma brilhante estréia contra o Campinense, sendo um dos principais responsáveis pelo triunfo alvinegro. Lopes foi indicação de PC em razão de o goleiro Adilson vir sendo acusado de falhar em bolas defensáveis.
O time que tem as cores da bandeira francesa também trocou de técnico. Mirandinha, campeão cearense de 2009 no comando da equipe, foi substituído por Giba. Giba pegou o leão em situações mais desfavoráveis que o Ceará, embora o time estivesse vivendo uma grande contradição – Tinha uma das piores defesas do campeonato e um dos melhores ataques. Giba chegou pregando profissionalismo. E faltava?
O currículo de Giba não é tão rico quanto o de PC Gusmão. Mas também é um técnico experiente e competente, já tendo treinado boas equipes da série B e também o Santos de São Paulo.
Na prática, o resultado de Giba é superior ao de Gusmão. Em quatro jogos obteve três vitórias e um empate.
Agora, no clássico-rei do dia 04/07, os dois terão oportunidade de medirem talento e competência na orientação a suas equipes. Ambos os times estão reabilitados e motivados. Reconquistaram, pelo menos parcialmente, a confiança da torcida e da imprensa. Quem duvida que os dois times estejam no rumo certo? Para eles vale o velho chavão do futebol “que vença o melhor”.


Marcos Antonio Vasco Rodrigues- escreve contos,crônicas e artigos. É professor de Língua Portuguesa