domingo, 6 de março de 2011

Diretoria do Fortaleza "cai na real" e os sonhos do Leão renascem

Após a final do primeiro turno do Cearense,conquistado pelo Ceará,a diretoria do Fortaleza se reuniu para discutir sobre a possibilidade de o clube fazer a contratação de novas peças.Há pouco tempo o presidente havia declarado que o time do campeonato era 'esse que aí está'. Mas após o clássico que decidiu o turno a favor do Ceará,a diretoria leonina chegou à conclusão de que sem algumas boas contratações o penta morrerá em sonhos.   Observou que na decisão do turno o timinho do Pici é valente,lutador,mas só isso não basta para conquistar o inédito pentacampeonato.O plantel tricolor precisa ser qualificado com a inclusão de pelo menos mais quatro peças.É bastante válida a política de valorização dos atletas da base,como Bismarck,Régis,Reginaldo Júnior,Vinícius,Leandro,dentre outros,porém na decisão,ficou claramente demonstrado que estes jovens guerreiros precisam  aliar sua garra e vontade  à experiência e técnica de jogadores mais qualificados.Infelizmente,Luciano Henrique,em quem a torcida depositava as esperanças de fazer a articulação da equipe,até o momento,ainda não conseguiu desenvolver o  que produziu em equipes como Santos,Cruzeiro,Sport.Por isso,o meia tricolor está devendo.E muito.Além disso,ficou bastante claro,que o técnico do Leão não dispõe de peças de reposição para fazer uso na hora da necessidade,como fez o rival tricolor na decisão. As substituições realizadas pelo Ceará decidiram o jogo a favor do time da avenida João Pessoa. Veja que um dos principais jogadores do alvinegro ,Iarley,fez um bom primeiro tempo,mas no segundo esteve apagado,sendo substituído por Nicácio. Júnior Pipoca também teve uma participação discreta na partida,sendo também substituído por Osvaldo. Aqui vale o velho chavão: campeonato se ganha com um bom plantel. Se o Fortaleza qualificar seu grupo,com pelo menos quatro boas contratações, terá ainda condição de brigar com chances de conquistar o penta,porque mesmo tendo um bom elenco, o Ceará apresenta deficiências.Por exemplo,as principais peças de ataque do Ceará Geraldo,Iarley, Pipoca,Nicácio,dentre outros,são jogadores veteranos que não apresentam mais um bom preparo físico e nem muita disposição para a correria, e o Leão deve saber tirar proveito também desse detalhe,pois o Fortaleza tem uma média de idade inferior à do Vovô .Mesclando a meninada com jogadores mais experientes teria,em tese, condição de levar vantagem sobre o Ceará,derrotá-lo e levantar a Taça do penta,para em seguida brigar com chances de retornar `a Segundona em 2012. É verdade que o segundo turno será mais difícil. Icasa,Ferroviário,Guarany de Sobral,Guarani de Juazeiro,Horizonte voltarão mais fortalecidos,principalmete Icasa e Ferroviário,que fizeram várias boas contratações. Contudo,mesmo com o crescimento dessas equipes,acredito na final de campeonato entre Fortaleza e Ceará. Um outro grande  sonho que a torcida tricolor almeja,é o  de retornar à Segundona em 2012,conforme já afirmei.Mas vamos com calma e por etapa.Dá-se uma passada de cada  vez.Primeiro  o penta,depois o retorno à Segundona. Certamente a diretoria azul,vermelha e branca,deve ter feito a mesma leitura que faço aqui.Cito aqui um detalhe ocorrido nos minutos que antecederam o clássico desta quarta,02/03.Ouvi uma declaração do presidente do Ceará numa emissora de rádio AM dizendo que o futebol cearense está vivo por causa do Icasa,na Segunda Divisão,e do Ceará na Primeira. Tudo porque o Fortaleza está na Terceirona.Como se  um time que está na Terceira Divisão tivesse sido extinto ou perdido sua história,sua tradição e sua torcida.De certa forma, isto demonstra, no mínimo, falta de humildade e respeito do presidente do Ceará com o Fortaleza e sua torcida.Até essa declaração do dirigente alvinegro,pode ser trabalhada de forma positiva pelo tricolor. Lembro que o atual campeão brasileiro,o Fluminense,experimentou dois rebaixamentos sucessivos: em 1997,caiu para a Segundona e em 1998,para a Terceirona. A trajétoria de erguimento do Pó de Arroz  demonstra que um grande time tem seus tropeços,mas com um bom trabalho da diretoria e com a participação da torcida é possível alavancar o clube novamente. Lembro bem do sofrimento do Flu,na Terceira Divisão. Era chamado de timinho da esperança.Mas por outro lado foi a época de maior paixão e participação de sua torcida pelo retorno do Flusão às Divisões de elite. A torcida do tricolor cearense ,precisa ter esse mesmo espírito que caracterizou a torcida do Flu na Segundona em 1997 e Terceirona em 1998.Aliás,ela já demonstrou sua força,na decisão do turno,dividindo o estádio Castelão meio a meio com a torcida do Ceará.E agora,com a diretoria tricolor caindo na real,as esperanças do penta e do retorno à Segunda Divisão ficam renovadas.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues- Escreve contos,artigos e crônicas

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Saudades do Super Esquadrão Tricolor dos Anos 1970

Nos anos 1970 torcer pelo Fortaleza era só alegria. O time era bom. Lembro bem da equipe titular de 1973 -Cícero, Louro, Pedro Basílio, Queiroz e Bauer; Chinesinho e Zé Carlos; Amilton Rocha, Amiltom Melo, Marciano e Plínio,(Lucinho,Beijoca,Lulinha...). Era difícil sair do estádio amargurado com um time desse.Ah,espera aí,teve uma zebra, sim,no Campeonato Cearense de 1973. Eu estava lá, no velho PV com minha mãe e vi o Calouros do Ar derrotar o nosso super time por 5 a 4. Tinha um ponta esquerda chamado Piçarra e um meio campista chamado Décio Pelé.Eles jogaram muito naquele dia,aliás todo o time do Calouros do Ar jogou muito.Era o dia deles.Minha mãe tinha razão "É o dia deles".Mas tristezas desse tipo naquele ano,eram difíceis de acontecer.A gente ia ao estádio para ser feliz,sentir alegria pelo futebol que o time apresentava em campo e pelas vitórias conquistadas.Não que os outros times fossem páreos fáceis. Pelo contrário, Ceará, Ferroviário,Guarany de Sobral formavam também super times.O Ferrim,time campeão de 1970,tinha uma grande formação: Amiltom Melo,Abelardo Coca-Cola,Simplício,o canhão da Barra,Birungueta,Edmar.Só para citar alguns craques. Mas voltemos ao ano de 1973. O Ceará,com um super time,ganhou o primeiro turno e o Fortaleza, o segundo.No dia 8 de agosto,eu e minha adorável e inesquecível mãe,estávamos lá,no estadinho do PV lotadinho,torcendo como nunca pelo meu tricolor.No tempo normal,ninguém venceu.Deu empate. E minha mãe dizia: "não te preocupa,menino,a gente vai ganhar na prorrogação.Ela sempre confiava no time mais que eu. Também pudera! Eu era só um pré-adolescente,torcendo mais que os adultos pelo meu time de coração. Na prorrogação, Amiltom Rocha fez o gol do título.O estadinho da Gentilândia quase vai abaixo.Minha saudosa mãe havia acertado de novo:"A gente vai ganhar".E ganhamos.Esse dia está guardado no meu relicário de saudades.Aliás,dizem que sentir falta do que é bom,é ser saudosista. Mas que mal há em ser saudosista?
Décadas depois, eu continuo torcendo pelo Fortaleza,mas é tudo muito diferente. A gente vai ao estádio com o coração preparado para sentir tristeza.À época em que comecei a torcer pelo Leão,vencer os super times do Sul e do Sudeste era rotina.Eu vi naquele mesmo ano de 1973, o Leão derrotar o super time do Fluminense,dentre outros super esquadrões.
Atualmente,embora seja o campeão estadual da década,em termos nacionais,o Fortaleza está amargando a Terceira Divisão e perdendo jogos de forma rotineira para times modestos do Pará e do Amazonas. O time atual não é sequer sombra dos super esquadrões dos anos 1970,especialmente do de 1973. Teme-se que, embora o time possua uma das maiores torcidas do país,o Tricolor cearense fique orbitando em divisões inferiores do futebol nacional,e a torcida,como eu, fique se alimentando apenas das glórias passadas da equipe.

Marcos Antonio escreve contos,artigos e crônicas.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desse jeito, Leão,o penta vira sonhos de quimera

Desse jeito, Leão,o penta vira sonhos de quimera( fantasia absurda; ilusão)
O sonho da conquista do pentacampeonato cearense pelo Fortaleza começa a tomar ares de quimera.O time tricolor após uma boa arrancada no Campeonato com três vitórias seguidas e plantar esperança no coração da torcida, começou a declinar a partir da quarta rodada,quando vencia o Limoeiro por 2 a 0 no Bandeirão e permitiu o empate ao adversário no final do jogo.Com o empate de hoje (02/02) no domingão,em 0x0 contra o Horizonte, o Fortaleza acumula quatro partidas sem vencer.Em doze pontos disputados,o Leão conquistou apenas três. Pior: a equipe cai de produção a cada jogo e apresenta falhas antigas em seus setores de defesa e contenção e não consegue se arrumar em campo.Jogadores em quem a torcida esperava que melhorasse o desempenho do time,como  Luciano Henrique,Ricardo Baiano,Gilmak ,dentre outros não conseguiram até o momento contribuir para a melhora do futebol da equipe.Não conseguiram alavacar o time. A equipe pena bastante para vencer ou empatar com adversários considerados tecnicamente inferiores. Venceu às duras penas em seu estádio,o Tiradentes por 2 a 1,em seguida ,venceu apertado, também no Alcides Santos, o Itapipoca por 3 a 2 e ganhou o clássico das cores,com muito aperto. Com a possível não classificação para disputar a segunda fase do Campeonato,o tricolor trará com a desclassificação vários prejuízos e dificuldades.Dentre elas, o agravamento das dificuldades financeiras e a perda de paz de todos os que "fazem". O Leão. O Certo é que no início,o time estava em formação e a torcida confiava que a equipe,mesmo com carênca em todos os compartimentos, fosse se ajustando ao longo das partidas.Mas o que ocorre é rigorosamente o inverso.Até se entende que o time está se formando ao longo dos jogos. Isto também deve ser levado em conta,mas é verdade também que equipes que foram desmontadas como o Guarany de Sobral,já reagiu e com a vitória de hoje sobre o Ferrim,o Bugre sobralense passa o ocupar a vice liderança da competição.
Ao contrário do Guarany sobralense, o time tricolor só vem caindo de produção a cada jogo,à exceção do bom primeiro tempo contra o Ceará,no clássico.Após o empate de hoje com o Horizonte, a diretoria deveria urgentemente fazer a contratação de pelo menos quatro ou cinco bons jogadores com melhor nível técnico(se houvesse condição) para voltar a sonhar com o penta.Com esse time e essa bola,seu maior rival não encontrará dificuldades para ganhar de "arrastão"o título cearense.Sem contratações,seria ousadia e ingenuidade continuar falando em penta.
O estranho é que times considerados pequenos,como Tiradentes e Guarani de Juazeiro conseguem fazer times competitivos com jogadores"refugos" do próprio Fortaleza.Cleiton do Tiradentes,Jérson,Niel do Guarani de Juazeiro,por exemplo. Por que esses atletas não conseguem produzir no Fortaleza e produzem muito bem em times considerados pequenos? Seria apenas o "peso da camisa?".Teoricamente,Ceará,Guarany de Sobral eTiradentes seriam os três primeiros colocados.Se melhorar o rendimento,o tricolor poderá sonhar ainda com uma das quatra vagas para a segunda fase do Cearense,ou amargar prejuízos e decepção sendo eliminado do primeiro turno e se preparar para conquistar o segundo, e assim, realimentar o sonho do penta.Mas nesse caso, metade da penta já terá ido embora.Do jeito que vai,o penta são sonhos de quimera.


Marcos Antonio Vasco Rodrigues

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entrevista com Vicente Matheus, "Eterno presidente do Corinthians"

Entrevista com Vicente Matheus "Eternamente dentro dos nossos corações"
Esta entrevista foi realizada pela escritora Branca Granatic com Vicente Mateus,eterno presidente corintiano, em janeiro de 1994 e que agora é publicada pelo site Eternamente Futebol. Em 1977,Três anos após conceder esta entrevista,Vicente Matheus veio a óbito.
 Vicente Matheus tornou-se famoso por suas frases folclóricas sem pé nem cabeça. Muitas delas nem eram de sua autoria, mas  foram-lhe atribuídas por brincadeira. Entre elas citam-se como de sua autoria:"Quem está na chuva é para se queimar", "Quero mesblar jovens e velhos da diretoria", "Tive uma infantilidade muito triste", "O difícil não é fácil", "De gole em gole, a galinha enche o papo", "Não veio o Falcão, mas comprei o Lero-Lero" (referindo-se ao jogador Biro-Biro) e "Peço aos corinthianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa". O famoso cartola morreu aos 88 anos, de insuficiência pulmonar, provocada por um câncer generalizado, após ficar 14 dias internado no Instituto do Coração, em São Paulo.

Pergunta -Eu gostaria que o senhor me explicasse o que é o Corinthians. São as construções do Clube? É um time de futebol? Afinal,o que é?
Vicente Matheus - O Corinthians é até hoje uma coisa que até ninguém nunca decifrou. É difícil. Veja as crianças que nascem. Estão com seus pais há alguns anos e são palmeirenses e viram corintianos. Ninguém pode explicar isso como é. Então é uma coisa difícil de se analisar,de saber.
Pergunta - Então o que é ser corintiano?
Vicente Matheus - Ser corintiano é muito difícil de explicar porque ou é corintiano ou é contra o Corintians. É assim que o pessoal fala,sabe? A gente às vezes sai aborrecido do campo,de estádio,mas depois já passa e aí volta tudo ao normal.
Pergunta - Mas sempre se mantém fiel?
Vicente Matheus - Sempre se mantém. Eu, por exemplo,estou há uma porção de anos. São,acho que uns quarenta e cinco anos que frequento o Corinthians e tive mais alegrias do que tristezas. Porque fui presidente do clube por diversos anos. Mas sempre a gente é corintiano e sempre adora o Corinthians.
Pergunta - O clube foi fundado por imigrantes de que nacionalidade?
Vicente Matheus - O Corinthians foi fundado. A maior parte era iataliano. Tinha espanhóis,sírios,tinha de tudo lá,mas a maior parte era italiano.Dois...três anos depois da fundação do Corinthians teve aquela confusão,brigas,uma porção de problemas. Então inventaram formar outro clube. Aí foi formado o Palestra Itália. E o que aconteceu? Os italianos,os mais ruins foram pra lá e os bons ficaram no Corinthians.
Pergunta - Como foi sua trajetória no Clube?
Vicente Matheus - Em 1954 eu fui vice-presidente de futebol,quando nós fomos campeões do Centenário. De modo que esse título só perde daqui a cem anos,em 2054. Depois fui diretor. Em 1972 eu era presidente(gestão-tampão) porque foi deposto o presidente da época. Em 77 fomos campeões,que fazia 23 anos que não éramos campeões.Campeonato paulista. Em 1990,fomos campeões brasileiros. Foi um título muito bom. Então é isso o Corinthians. Foi muito tempo.Inclusive presidente-tampão. Você sabe o que significa isso?
Pergunta - É quando o vice assume,porque o presidente não pôde continuar?
Vicente Matheus - É bom você saber como é que é.Não é assim. Existe nova eleição para presidente-tampão. Como eu tinha dito,eu ganhei e assumi.Depois na primeira ocasião que houve para eleger outro presidente ,houve os que quiseram considerar que aquele presidente-tampão já valia como gestão de dois anos. Então o meu pessoal achava que sim e formou uma polêmica. Arrumavam uma liminar dizendo que era considerado "de fato" e não "de direito","de direito" e "não de fato". Você entendeu? Vinham as eleições e continuava em questão o negócio de se não estava valendo. Então eu fiquei uns oito anos.
Pergunta - Deixa eu ver se entendi bem. O senhor foi presidente"de fato" e não "de direito". Outras vezes "de direito" e não "de fato",mas estava sempre na presidência. É isso?
Vicente Matheus - É. Fiquei. E aí depois se regularizou. Teve também quando eu tive quatro anos de presidente e eu já não podia ficar mais pelos estatutos. Só podia ter direito a uma reeleição. Então o pessoal insistiu que eu colocasse a patroa para eu poder ficar. Disputou as eleições a Marlene,que é minha patroa.Houve campanha. Se reuniram três ou quatro pra disputar e ela ganhou e fez o departamento feminino,coisinhas assim.Me dava mais trabalho que...Foi essa luta.
Pergunta - Como era seu jeito de presidir o clube?
Vicente Matheus - Eu estava no social,estava em toda parte. Eu olhava o futebol. Viajava com os jogadores. Nas vésperas de jogo,visitava. No dia do jogo,almoçava com eles.Era tudo com se fossem filhos: com muito respeito. Eles gostavam principalmente da palavra minha: é firme. Não é como muito por aí que prometem uma coisa e não fazem. Eu,quando prometia,faço.
Pergunta - Um time, para conquistar títulos,além de ter bons jogadores ,precisa ter uma certa tranquilidade. Quando o time perdia o jogo,todo mundo já corria para o senhor?
Vicente Matheus - Acontecia. Tem os mais fanáticos...como eu também fui.
Pergunta - O senhor também é famoso pelas frases engraçadas que criou. Quando alguém menciona alguma delas,o senhor fica orgulhososo ou constrangido?
Vicente Matheus - Não,não fico. Não fico porque me habituei a receber os comentários como natural. O pessoal gosta,então deixo que fique.Eu já disse que não pude estudar porque éramos onze irmãos. Eu parei no segundo ano de grupo. É isso que eu sou. Não me incomodo. Uma vez eu fui num programa de televisão e me dirigi aos políticos,fiz um apelo. Eu queria pedir pelas criancinhas .Mas ao invés de dizer "olhe as crianças",falei"Olhe o Corinthians. É assim que acontece a "faca de dois gumes".
Pergunta - O que o senhor diria aos jovens sobre a importância do estudo?
Vicente Matheus - Bom,eu presto muita atenção,porque como não estudei,a gente pode errar.Porque quem estudou tem facilidade, agora eu,que não estudei,é na luta da vida.Porque eu trabalei bastante. Eu tinha 40 anos e não sabia o que era Santos. Era trabalho...trabalhar mesmo. Vinha o carnaval. Podia bailar, dançar,essa coisa toda,mas no dia seguinte eu ia trabalhar.Então o conselho que eu dou aos jovens...eu não estudei,não porque eu fosse mau filho. Eu não tive condições. Timha trem,mas era até às sete horas da noite. Não tinha como voltar. Hoje tem escola,querendo,estuda.Tem escolas noturnas em qualquer lugar. Não estuda quem não quer hoje. Então é o conselho que eu dou aos jovens: de que procurem estudar. Porque eu tenho dificuldade. Eu tenho medo de errar nas coisas. Então eu falaria com mais naturalidade,com mais firmeza. É difícil ,a gente sofre muito. Quando tem que dar uma entrevista, eu penso bastante.
Pergunta - Sr. Vicente Matheus,o que o senhor representa para o Corinthians?
Vicente Matheus - Bom,eu represento para o Corinthians...não sei nem quase responder.Mas o conceito é grande que eu tenho. É uma coisa que eu não posso nem falar às vezes,que choro.Mas é isso,sabe?
Pergunta - Qual a maior alegria que o clube lhe deu?
Vicente Matheus - Foi em 1977,quando fomos campeões depois de 23 anos. foi aí que eu disse na televisãoque não tinha mais nada que pedir a Deus. A minha cota estava terminada. Então o Corinthians está dentro da gente,que às vezes se aborrece ,briga, faz, mas sempre  Corinthians.


publicado em 18 de dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O que significam as frases"muita libra já pesou" e "ai,Jesus" na letra do Hino do Flamengo?

O Clube de Regatas do Flamengo destaque em 2009,quando  conquistou o Campeonato Brasileiro ; e, há pouco,  a enxurrada de infames piadas no caso Bruno-Elisa Samudio ("Flamengo até morrer..."ele,me maltrata..."etc.). O hino do Flamengo diz:


Uma vez Flamengo.
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez flamengo, Flamengo até, morrer


Na regata ele me mata,
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado, o mais cotado
Nos Fla-Flus é o ‘ai, Jesus’!
Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo


Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pesou
Flamengo até morrer eu sou


O flamenguista de hoje não tem ideia do que possa significar a celebração no verso composto há 70 anos:"Ele vibra,ele é fibra,muita libra já pesou." Sim,o Fla vibra e ele é fibra (hoje,se diria "raça","garra" ou "atitude",mas ainda se compreende "fibra") ,mas que raios: é pesar libra,"muita libra já pesou"?
Para responder à questão é necessário lembrar que o hino do Flamengo foi composto numa época de transição do clube. Se hoje o Flamengo é antes e acima de tudo futebol,em 1895,quando foi fundado ,o esporte por excelência era o remo.
O ano de 1942,quando o hino foi composto,é um momento de transição no interesse da torcida: o remo ainda tinha tinha importância ( remo do Flamengo ,em grande  fase ,foi tetracampeão carioca de 1940 a 43),mas o futebol crescia mais e mais (impulsionado pelos craques Yustrich,Domingos da Guia,Leônidas da Silva ,Valido,Jarbas e Zizinho). Daí ,os dois polos no hino,com muitas refrências à regata.
E é na regata que se decifre "pesar libras" . "pesar libras no hino de Lamartine Babo é sinônimo de vitória. Vejamos por quê:
O remo é um esporte que envolve complexas regras de  pesagem. Nas atuais regras de Confederação Brasileira,encontramos: "É unicamente da equipe a responsabilidade de que os barcos tenham o peso mínimo exigido. a balança deve indicar  o peso do barco  com um dígito após a vírgula e deve estar disponível para as guarnições pelo menos 24 horas antes da primeira prova da competição. A seleção de barcos a serem pesados é feita através de um sorteio. Pesar libras é homologar vitória! Vitória que se confirma ou é impugnada na pesagem.
Outra passagem enigmática (para os dias de hoje) do hino flamenguista é o "Ai, Jesus". Na época (e ainda hoje em Portugal) significava apenas: o queridinho,o  xodó,aquele por quem todos suspiram:"ai,Jesus". E, de fato, no hino ancontramo-lo substantivado: o "Ai Jesus".
E, em 1950,Raquel de Queiroz escrevia para a revista  O Cruzeiro: "Se fosse homem,tirava uma carta,comprava um caminhão e ia pra estrada. O Caminhoneiro é um bon vivant,não tem patrão nem horário,dorme onde bem lhe apraz,seu teto é  o céu cheio de estrelas , e é o ai-jesus das mulheres..."
Anacronismos? Mas,como em hino não se mexe,cada time continuará glória do desporto nacional ,com páginas heroicas imortais ,sempre altaneiro,com seu pendão,adentrando o gramado em que a luta o aguarda ,bem amado,com glórias que vêm do passado.


Jean Lauand- texto publicado na Revista Língua Portuguesa publicada pelo FNDE,Ministério da Educação. Ano 5,número 59,setembro de 2010.


Texto "recortado" e adaptado por este BLOG pelo professor de Língua Portuguesa Marcos Antonio Vasco Rodrigues


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domingo, 14 de novembro de 2010

Saudades da Taça de Prata

A última edição da Taça de Prata ocorreu em 1970. O Fluminense foi seu último campeão. Eu estudava numa escolinha comunitária do meu bairro aqui em Fortaleza. A escola tinha convênio com  a Marinha que fazia doação de livros usados para serem distribuídos aos alunos. A gente recebia os livros de todas as matérias,menos os da disciplina de Matemática e Português. Sorte minha,pois o livro de leitura que a escola não doava e que precisava ser comprado trazia dois textos sobre futebol. O detalhe é que os livros produzidos naquela época eram todos em preto e branco. Mas no nosso livro de leitura havia  uma foto colorida.Isso era uma raridade.Seria o pessoal da Editora torcedores do Pó de Arroz? Pensei. Passei a gostar mais do meu livro de leitura  que dos outros,tudo por causa da fotinha colorida,coisa de criança apaixonada por cores. A figura ficava na parte superior  direita da página. Era um garotinho sorrindo,vestido com a camisa do Fluminense do Rio. O título do texto era este: "Domingo vou ao estádio vestido com minha camisa tricolor". Eu já gostava de futebol.Era escalado pelos meninos do arrabalde para participar de todos os "rachas". Era tido como bom. Acompanhava os jogos do Campeonato Cearense ,do Nordestão e os da Taça de Prata pelo rádio Semp da minha mãe.Além do mais,toda semana recebia de presente de minha irmã uma revista Placar. Nos dias de jogos à noite,minha mãe não ouvia os programas dela sobre músicas da velha guarda,tocando Emilinha Borba,Augusto Calheiros,Francisco Alves,Nélson Gonçalves,dentre outros. Ela dizia: "lá vem esse menino ouvir esse jogo dele".Eu ouvia e anotava tudo. Tinha um caderninho em que  anotava a súmula dos jogos. Havia também um  álbum de figurinhas da Taça de Prata. Os cromos(figuras) eram redondos e não eram de papel. Era uma espécie de alumínio. Meu irmão mais velho sempre me dava alguns trocados no fim de semana e eu corria até a banca para comprar os envelopinhos de figurinhas. Lembro que completei todo o meu álbum. Recordo bem do rosto de alguns jogadores do Fluminense dos anos 1970.Aliás,foi o Flu o Campeão de Taça de Prata naquele ano. Por causa da foto colorida do menino vestido com a camisa do tricolor carioca ,passei a nutrir uma certa simpatia pelo Fluminense,embora meu time de coração fosse o Fortaleza. Recordo com saudade  alguns craques do Flu- Félix,Oliveira,Galhardo,Assis ,Marco Antonio,zagueiros. Cafuringa ,Mickey,Cláudio Garcia e Lula,atacantes.Todos as equipes jogavam para frente,com o propósito de vencer  a partida.Odair,Humberto Ramos,Lola,Tião,eram alguns atletas importantes do Atlético de Minas.O Flamengo tinha um time forte,aliás,a meu ver todos os times eram muito bons.Liminha, Zanata;Doval,Nei, Adãozinho, Fio Maravilha , Caldeira,eram alguns "cobras" do Flamengo daquela época.Veja que o Santos tinha Carlos  Alberto Torres,Joel, Rildo,Clodoaldo, Edu e Pelé ,todos da Seleção Brasileira.O Bahia,que hoje sofre na Segundona,tinha um time de peso e respeito:Picasso,Sousa ,Roberto  Rebouças,Zé Oto, Aguiar; Lourival, Baiaco;Artur, Carlinhos,Zé Eduardo , Laerte,Beijoca...Não podemos deixar de citar o super time do Cruzeiro-Raul,RaulFernandes, Darci Menezes, Wilson Piazza, Vanderlei, Zé Carlos, Dirceu Lopes, Natal, Eduardo,, Evaldo,Spencer, Tostão,Hilton Oliveira...Enfim,todos os 17 participantes,inclusive Santa Cruz e Ponte Preta,tinham times muito fortes.
Com a excessiva mercantilização do futebol e com a  saída de cena dos grandes  craques,o nosso futebol perdeu muito de seu romantismo e encanto.Até  mudaram o esquema de jogo. Os times jogavam com quatro zagueiros,dois meio campistas e quatro atacantes. Mudaram também a nomenclatura . Lateral direito  e esquerdo passaram  a ser alas. Expressões como ponteiro direito,ponteiro esquerdo,beque central,quarto zagueiro,centro avante,entre outras entraram em desuso.O preparo físico passou a  prevalecer sobre a técnica. Jogadores fazem declarações de amor a um clube e no outro estão jogando pelo time adversário.
Pior. Com todas essas mudanças, o futebol perdeu parte de sua qualidade.  De seu encanto. Por isso,sinto saudades de tudo o que tem relação com aquela época inesquecível dos bons tempos de nosso futebol: meu livro de leitura com a foto colorida do garotinho  vestido com a camisa tricolor, meu álbum de figurinhas,do rádio Semp em que ouvia os jogos,dos "rachas" com a garotada do arrabalde,da minha corrida à banca para comprar as figurinhas. São tempos inesquecíveis do  Futebol Brasileiro. A  geração nascida a partir da segunda metade dos anos 1980 e das  gerações que ainda virão, jamais terão o prazer de contemplar um futebol tão magnífico quanto o dos anos 1970.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues- Escreve contos,artigos e crônicas

domingo, 31 de outubro de 2010

Garrincha: a coroa de rei lhe pertenceria?




Quando garoto sempre ouvia algumas pessoas mais velhas que gostavam de futebol,  dizerem que o título de rei do futebol deveria pertencer a Garrincha e não a Pelé.Muitos anos depois,relendo as biografias de Pelé e Mané Garrincha e os vídeos disponíveis ,deduzi que as pessoas que faziam essa afirmação,talvez tivessem uma certa razão. Eu não entendia muito bem por que elas falavam aquilo,mas a frase ficou gravada na minha memória.Na verdade,há mais cognomes exaltando a genialidade de Garrincha com a bola nos pés que cognomes de exaltação a Pelé: alegria do povo,rei do drible,o gênio das pernas tortas , o maior de todos, dentre outros.  Mas,por que o esplendor do rei do drilble foi tão passageiro? E por que não chegou a ser coroado rei?Resposta simples: A vida desregrada fora de campo. Garrincha começou no Botafogo em 1955 e já  em 1962 já se encontrava em declínio. Foram apenas 8 anos de alegria,de futebol esplendoroso. Pelé  começou aos 16 anos (quando participou da Copa de 1958,tinha 17 anos) e jogou até os 37. Mané poderia ter chegado a jogar a mesma quantidade de anos que Pelé e assim teria tido mais tempo de projetar-se.O rei do futebol teve mais tempo e equilíbrio para mostrar sua arte e genialidade.Observe que Pelé e Garrincha foram contemporâneos. O primeiro nasceu em 1940 e o segundo em 1933.Qual a grande diferença entre Pelé e Garrincha,profissionalmente falando? A vida extra-campo. O atleta do século XX soube ser gênio também fora das quatro linhas.Nesse sentido, a coroa do rei Pelé jamais lhe será usurpada. Outros atletas candidatos a ameaçar a coroa do rei caíram na mesma desgraça de Mané: Maradona,por exemplo. Nesse pequeno,mas grande detalhe, o destino da coroa foi decidido a favor do mineiro de Três Corações. O rei do futebol defendeu durante 28 anos a camisa do mesmo time,o Santos Futebol  Clube,  de 1956 a 1974.Isto se chama fidelidade,identificação e gratidão ao time que o projetou.Após abandonar  o futebol profissional   pelo Santos,foi jogar pelo  Cosmos de Nova York, muito mais para promover o futebol ianque. Caso não produzisse o mesmo futebol,poderia alegar que estava ali mais para promoção que para jogar bola.O rei pensou em todos os detalhes. Tomou decisões sábias, sabendo inclusive,parar no momento certo. E após parar,  continuou levando uma vida equilibrada moralmente. Soube manter e preservar o que  havia conquistado como jogador.A alegria do povo,pelo contrário.Além da vida desregrada fora dos gramados, defendeu vários times:  Botafogo(RJ)-1953 a 1965,Corinthians (SP)-1966, Portuguesa-RJ -1967, Atlético Junior (COL)-1968, Flamengo (RJ)-1968. Fim de Carreira:, Olaria (RJ)-1971/1972, Juventus (AC), CEUB (DF), Souza (PB), Millonários(COL)-1974-1982. Observe que enquanto Pelé crescia,Garrincha declinava,passando por equipes desconhecidas  como Juventus do Acre e CEUB de Brasília.Garrincha talvez soubesse fazer as pessoas mais felizes com a bola no pé que Pelé,porém não sabia cuidar dos pés(da vida) que produzia alegria.Depois da conquista do Bicampeonato Mundial do Brasil em que foi um dos destaques e após a conquista do bicampeonato carioca conquistado pelo Botafogo em 1962 em que Garricha "pintou e bordou" contra o Flamengo,o gênio das pernas tortas começa a entrar em declínio.Infiltrações no joelho, a bebida alcoólica,principalmente, foram os dois inimigos que tomaram,talvez, a coroa de Garrincha. É incrível.No auge,depois de conquistas históricas e inesquecíveis, a alegria do povo começa a declinar. Seria o momento, a hora de se consolidar como craque e consequentemente  conquistar  o título de rei do futebol,uma vez que era  considerado o atleta mais habilidoso que já existiu em todos os tempos  e nenhum jogador na história do futebol possuía a espantosa habilidade para driblar os adversários  como ele.
Se Mané tivesse tido harmonia fora das quatro linhas quem sabe a coroa real não lhe tivesse ido parar na cabeça?Ou pelo menos teriam que coroar dois reis do futebol, num mesmo país.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues - Escreve contos,artigos e crônicas.