quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eternamente Futebol

CALMA, GENTE...

A derrota do Fortaleza para o Bragantino nesta terça-feira no castelão (21/07/2009) pela 13ª rodada da série B pode ser considerada como uma fatalidade e injustiça do futebol. O goleiro Ivan do Braga esteve numa noite inspirada, garantindo a vitória injusta do Bragantino, principalmente no final da segunda etapa. O time tricolor fez uma boa partida. Entrou com dois atacantes de oficio, como todos exigiam e começou sufocando, abriu o marcador no início da partida e minutos depois, por infelicidade, levou um gol de bola alçada na área. O segundo tento do Bragantino foi ainda mais infeliz. Gol de contra-ataque – contra – feito por um dos destaques do time tricolor – Amarildo. Mesmo após tomar o gol da virada, o time não se omitiu, correu até o último minuto em busca pelo menos do empate, foram desperdiçadas várias oportunidades por parte dos atacantes leoninos. As que iam para dentro, o goleiro Ivan defendia. Mas parece que já estava escrito nas estrelas: A noite era do Braga e do goleiro Ivan. Foi a primeira derrota sofrida dentro de casa, pelo técnico Giba cujo trabalho começou a ser questionado desde a má atuação da equipe no empate com o Ceará. A partir dali começou a ser acusado de ser “retranqueiro” ao jogar apenas com um atacante e de manter Jailson como titular da lateral esquerda. Haveria tanta razão para Giba ser tão questionado? Com a resposta os números. Em nove partidas como técnico do tricolor, Giba conquistou quatro vitórias, dois empates e três derrotas. Portanto, os números depõem a favor dele. O lateral esquerdo Jailson, alvo de pesadas críticas até fez uma boa partida, mesmo debaixo de vaias do início ao final do jogo, procurou ficar indiferente a elas.
Não faz muito tempo, dois bons técnicos foram “expurgados” do nosso futebol sendo acusados, por alguns, como inaptos para dirigir o Fortaleza – Silas e Dorival Júnior. Silas foi para o Avaí e após trinta anos levou o time do ex-tenista Guga de volta à primeira divisão, onde ainda permanece. Dorival Júnior foi treinar um time do Sul da primeira divisão, fazendo por lá excelente trabalho. Hoje é técnico do Vasco da Gama. Aliás, Dorival, à frente do time carioca passou seis partidas sem vitórias, voltando a vencer a partir da 10ª rodada. Teriam por aqui tido com Dorival a paciência que o Vasco teve? Claro que não. E sobre as declarações de Giba? Todos não têm o direito de falar o que querem? Por que o técnico tricolor em um momento de açodamento emocional não pode expressar também seu ponto de vista? Ele estava chateado com uma parte das pessoas que em certos momentos “jogam de bandido” (vaiam o time).
Calma, Gente! Não vamos transformar, em poucas horas, um herói em vilão. Não esqueçamos, também, que alguns times da série B, não só o Fortaleza, ainda estão em formação. O próprio Giba declarou algumas vezes que a equipe estaria no ponto, somente no segundo turno. Eu acredito no trabalho dele. A diretoria tricolor, certamente, também terá bom-senso e continuará acreditando.
Calma, Gente! “Vamos deixar o homem trabalhar”?



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Marcos Antonio Vasco Rodrigues- É professor de Língua Portuguesa,escreve artigos,crônicas e contos e crônicas

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Eternamente Futebol

JACARÉ AFOGADO, DIABO NOCAUTEADO

Eram mais três mordidas (três pontos) computados antecipadamente a favor do Jacaré de papo amarelo. Tudo a estava a seu favor - no momento, ao lado do guarani, é time mais certinho da competição. Jogava no seu “habitat”, conhece cada oscilação, cada pedaço do terreno do confronto. Até o próprio clima seco favorecia o insaciável animal.
Do outro lado, um time que ainda procurava ajustar peças de seus compartimentos, principalmente nas finalizações dos atacantes. Some-se a isto, o fato de fazer quase dois anos que o Vovô não sentia o sabor da comida de adversários fora de casa. A mesa estava posta. Na teoria, o Jacaré iria apenas confirmar em campo, o que todos já esperavam – a vitória. Mas ainda bem que quase sempre a prática joga a teoria por terra. Em campo, o Vovô demonstrou força e aplicação, nem mesmo a ausência de dois guerreiros titulares comprometeu a apresentação do time. Final do jogo: Brasiliense 0x1 Ceará. Vitória justa. E tabu quebrado. E o que é mais importante – o Vovô confirma e solidifica sua ascensão. Com alguns ajustes, principalmente, na pontaria de alguns atacantes, a equipe é uma das candidatas ao bloco de elite em 2010.
No castelão, em Fortaleza, a história é mais ou menos parecida. O Leão ferido encara o favorito Diabo rubro de Natal, o América. Como o Brasiliense, o time Potiguar também tinha motivos de sobra para confirmar seu favoritismo. Era, no momento, o time do Nordeste de melhor campanha, vinha de uma goleada sobre o Bahia, e queria comemorar seu 94° ano de existência com mais uma vitória. O time vermelho, portanto, tinha muitas razões para acreditar que comemoraria seu aniversário saboreando um suculento guisado de leão. Mesmo com toda sua astúcia, o Diabo esqueceu que um animal ferido e acuado é sempre perigoso.
No campo de batalha, como no jogo entre Ceará e Brasiliense, a teoria não prevaleceu. No primeiro tempo do jogo, mesmo jogando apenas com um atacante de oficio, o leão rugiu estrondosamente. Parecia não estar ferido. Fez uma partida quase irrepreensível no primeiro tempo, com destaque para Cristian e Maisena. Final da primeira etapa: Leão 2x0 Diabo. O Diabo saiu cabisbaixo para os vestiários, pensando em se vingar no 2° tempo. Realmente, o Diabo voltou mais disposto. O Leão ficou na retaguarda, aguardando o momento para nos contra-ataques aumentar o placar. E foi o que acorreu. Marcelo Nicácio amplia para 3x0. A essa altura, o Diabo já estava cansado de tentativas frustradas e com mais uma lapada não restava outra alternativa, a não ser bater em retirada. Giba, técnico tricolor, ainda está à procura da formação “ideal” para o Fortaleza. Ao final do primeiro turno, Giba, certamente, já terá um time com ritmo de jogo e entrosamento. No segundo turno estará pronto para lutar com grandes chances por uma das vagas do G-4 e voltar à primeira divisão em 2010.
Portanto, nossos dois times da série b, sob comandos competentes, continuam no rumo certo. Que o Jacaré continue afogado e o Diabo nocauteado.


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Marcos Antonio Vasco Rodrigues

domingo, 5 de julho de 2009

Eternamente Futebol

Anos 60 – A principal Era de ouro do nosso futebol

Sem dúvida, poderíamos caracterizar as décadas de 60 e 70 como as épocas de ouro do nosso futebol, não apenas pelas participações de craques como Pelé, Garrincha, Nilton Santos, e tantos outros. Eles faziam a diferença a favor de suas equipes, mas todas as outras agremiações da época, principalmente, as do Sul e do Sudeste eram formadas por craques, do goleiro ao ponta esquerda.Por isso, o conjunto das equipes praticavam o que chamamos de futebol- arte. A década de 60 foi amplamente dominada pelo Santos Futebol Clube. O time de Pelé conseguiu nada menos que 22 títulos em 10 anos.Dois Mundiais (62 e 63), Duas Copas Libertadores (62 e 63), Cinco Taças Brasil (61,62,63, 64 e 65), um Torneio Roberto Gomes Pedrosa (68), quatro Torneios Rio – São Paulo (59,63,64 e 66), e pasmem! Dos dez Campeonatos paulistas disputados, o Santos arrebatou oito (60,61,62,64,65,67,68 e 69). E m comparação com o Santos do Rei do Futebol,a equipe peixeira que disputa a série A do Brasileirão é só um time modesto. Não assusta a nenhum adversário. Observe que de 1969 (ano do último título da década) até hoje- 2009- já se passaram 40 anos. Nestas quatro décadas o time da baixada conquistou apenas oito títulos – dois Brasileiros (2002 e 2004), cinco títulos paulistas (1973, 78,84,2006 e 07), um Torneio Rio – São Paulo (1997). Embora os anos 60 tenham tido a hegemonia santista, não sigfinica dizer que os outros clubes eram frágeis. Pelo contrário, eram super times. A questão era que o Santos era mesmo uma “máquina”, “um rolo compressor”.
Nesse período houve o desenvolvimento de importantes Torneios que contribuíram para o fortalecimento das equipes e surgimentos de grandes novos talentos e solidificação dos que vinham despontando na década anterior . O Torneio Roberto Gomes Pedrosa dentre outros, serviram de laboratório para a formatação e modelo do primeiro Campeonato Brasileiro disputado em 1971.
O primeiro Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Homenagem ao goleiro Pedrosa da Seleção de 1934) teve sua primeira edição 1967 e o Palmeiras como o primeiro campeão e o Fluminense o último campeão do Torneio(1970). Foi organizado pelas federações, paulista e carioca. Ele poderia ser chamado de Torneio Sul-Sudeste. Havia a participação de 5 times de São Paulo ( Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo, Portuguesa) ; cinco times do Rio (Fluminense, Flamengo, Botafogo, Vasco e Bangu); 2 de Minas ( Cruzeiro e Atlético); 2 do Rio Grande do Sul ( Grêmio e Internacional); um do Paraná ( Ferroviário). Em 1968 a CBD passou a gerenciar o Torneio, tornando- o mais acessível, fazendo a inclusão do Bahia, Náutico, Atlético do Paraná e o América ( que substituiu o Bangu), Coritiba e Santa Cruz. A partir de 1968, o Torneio passou também a ser conhecido como Taça de Prata.
A partir do final dos anos 70, foi criada a CBF que passa, então, a organizar todos os Campeonatos brasileiros, que teve sua 1º edição em 1971. Portanto, o primeiro Campeonato Brasileiro é uma réplica aperfeiçoada do “Robertão” dos anos 60, havendo a “ nacionalização” da Disputa que passou a contar com a participação de times de todas as regiões do país, tornando-o mais democrático, embora vivêssemos no período mais duro do regime militar.
Poderíamos colocar, também os anos 80 como uma década áurea do nosso futebol, pois tivemos craques inesquecíveis , como Zico, Sócrates, Muller, Careca, Bebeto,Falcão e outros, além da formação de duas seleções comandadas por Telê Santana, que conseguiram produzir o futebol -arte (1982 e 1986) embora em ambas as oportunidades nossa seleção não tenha conseguido erguer o troféu . Portanto, o espelho do futebol -arte e de craques eternos tem início,a nosso ver, nos anos 60 e perdura durante toda a década dos anos 70 e começa a declinar na segunda metade dos anos 80.

Marcos Antonio Vasco Rodrigues

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eternamente Futebol


ALVINEGROS E TRICOLORES NO RUMO CERTO

Eles têm muito em comum – Administrações jovens dedicadas e responsáveis, técnicos competentes e renomados. Dentro de campo um deles amargou quatro derrotas seguidas e um empate, ou seja, cinco rodadas só de amargura. O outro tem histórico parecido – foram seis rodadas sem vitórias. Três derrotas e três empates. Uma das torcidas se julga a maior da capital a outra a maior do estado. Esse dois times se enfrentam no dia 04 de Julho pela 9ª rodada, da série B. Após saírem do deserto e do jejum de vitórias, os dois querem continuar vencendo, um quer fazer a quadra, o outro a trinca. Quem Conseguirá?
Para reencontrar o caminho das vitórias os dois times penaram.
Nas rodadas iniciais os dois trocaram de técnico. A equipe da ausência de cor (preto) e da mistura de todas as cores (branco) trouxe Paulo César Gusmão para substitui Zé Teodoro, que houvera pedido demissão do alvinegro para ir treinar o Juventude. PC Gusmão é um técnico renomado e competente, com passagem pelos maiores times do sul e do sudeste. Com Gusmão, até aqui, o Ceará alcançou três vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
Obviamente o time ainda apresenta falhas em alguns setores, falta sintonia entre os compartimentos, entrosamento e ritmo de jogo em alguns atletas, porém os ajustes vão ocorrendo com o andamento dos jogos. Qualquer ajuste requer um período de tempo, não é algo que se consiga “da noite pro dia”.
Além do mais, caso haja necessidade de contratar mais alguma peça, certamente, Gusmão fará essa reivindicação à diretoria alvinegra. Um exemplo disso ocorreu no arco do vovô. Lopes, novo titular do Ceará em substituição a Adilson, fez uma brilhante estréia contra o Campinense, sendo um dos principais responsáveis pelo triunfo alvinegro. Lopes foi indicação de PC em razão de o goleiro Adilson vir sendo acusado de falhar em bolas defensáveis.
O time que tem as cores da bandeira francesa também trocou de técnico. Mirandinha, campeão cearense de 2009 no comando da equipe, foi substituído por Giba. Giba pegou o leão em situações mais desfavoráveis que o Ceará, embora o time estivesse vivendo uma grande contradição – Tinha uma das piores defesas do campeonato e um dos melhores ataques. Giba chegou pregando profissionalismo. E faltava?
O currículo de Giba não é tão rico quanto o de PC Gusmão. Mas também é um técnico experiente e competente, já tendo treinado boas equipes da série B e também o Santos de São Paulo.
Na prática, o resultado de Giba é superior ao de Gusmão. Em quatro jogos obteve três vitórias e um empate.
Agora, no clássico-rei do dia 04/07, os dois terão oportunidade de medirem talento e competência na orientação a suas equipes. Ambos os times estão reabilitados e motivados. Reconquistaram, pelo menos parcialmente, a confiança da torcida e da imprensa. Quem duvida que os dois times estejam no rumo certo? Para eles vale o velho chavão do futebol “que vença o melhor”.


Marcos Antonio Vasco Rodrigues- escreve contos,crônicas e artigos. É professor de Língua Portuguesa